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| Bebida ligada à intoxicação em Pariconha tinha metomil, inseticida agrícola. Foto: Arquivo |
Segundo os detalhes repassados pelo perito criminal Thalmanny Goulart, responsável pelo Laboratório de Química, os especialistas examinaram duas garrafas lacradas de cachaça de uma mesma marca comercial e o recipiente PET com o preparado alcoólico. A linha investigativa aponta que o destilado original serviu como base para a confecção da bebida artesanal comercializada em barracas da feira. Goulart enfatizou que o agrotóxico estava presente unicamente na garrafa PET, descartando a contaminação nas embalagens de fábrica da cachaça. Paralelamente, os exames toxicológicos dos dois pacientes recuperados ratificaram a absorção da mesma substância tóxica encontrada na bebida e nos restos mortais da vítima fatal.
O quadro trágico teve início quando Gilberto começou a passar mal em meio ao evento popular em Pariconha. Acionada por testemunhas que acreditaram se tratar de uma crise epiléptica, a Polícia Militar prestou suporte no atendimento inicial, e o homem foi socorrido por uma ambulância até o Hospital Regional do Alto Sertão, onde não resistiu. Diante do mal-estar simultâneo que acometeu os demais consumidores da bebida no local, a PM uniu forças com a Guarda Municipal e a Vigilância Sanitária local para apreender o produto e conter os riscos. A Secretaria Municipal de Saúde de Pariconha providenciou a remessa do líquido suspeito ao Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (Lacen/AL), de onde o material seguiu para os exames especializados da Polícia Científica.
Com alto nível de toxicidade ao organismo humano, o metomil atua diretamente no sistema nervoso e deflagra crises agudas que começam com sintomas como náuseas, emese, diarreia e desconforto respiratório. Sem a devida intervenção, a substância evolui para arritmias cardíacas, tremores, astenia muscular intensa e paralisia dos músculos do sistema respiratório, resultando em óbito. A direção do laboratório garantiu que os procedimentos observaram rígidos protocolos científicos, e os laudos finalizados já foram protocolados junto à Polícia Civil e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para fundamentar as investigações criminais e orientar ações sanitárias no estado.
