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| Renan Calheiros |
A tentativa de emplacar a versão de um encontro entre adversários históricos possui um peso estratégico evidente. No atual cenário, o isolamento político é a maior ameaça a JHC, enquanto a ideia de uma "composição" com o MDB poderia servir para minar a confiança de sua base mais conservadora e antipetista/anticalheirista.
A rapidez com que aliados de JHC correram para publicar fotos em Maceió — transformando o celular em instrumento de prova de álibi — demonstra que o grupo do ex-prefeito entende que qualquer boato de aproximação com os Calheiros é, hoje, um "abraço mortal de sucuri" que ele não pode se permitir.
A liderança de JHC nas pesquisas para o Governo e para o Senado criou um dilema matemático e geográfico para o MDB. Se JHC decidir pelo Palácio República dos Palmares, ele interrompe o projeto de sucessão e continuidade do grupo palaciano. Se optar pelo Senado, ele coloca em xeque a cadeira de Renan Calheiros, cuja reeleição em 2026 é tratada como prioridade absoluta para a manutenção da influência da família no cenário nacional.
Para os Calheiros, JHC não é apenas um adversário; ele é o primeiro nome em décadas com potencial real de desequilibrar as duas frentes de poder simultaneamente.
O que o noticiário de Lauro Jardim e a subsequente "guerra de fotos" expõem é que Alagoas vive um estado de tensão pré-eleitoral permanente. JHC tornou-se um "caos itinerante" para o clã Calheiros porque ele subverte a lógica da alternância controlada de poder.






