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| Lindbergh e Gaspar |
Uma discussão acalorada interrompeu o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta sexta-feira (27). O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disparou ofensas graves contra o relator do colegiado, o deputado alagoano Alfredo Gaspar (PL-AL), chamando-o de "estuprador". O episódio gerou revolta imediata e paralisou a leitura do relatório final, que sugere o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo o filho do presidente Lula.
O tumulto começou logo nos primeiros minutos da sessão, quando Alfredo Gaspar se preparava para ler o documento de 4,4 mil páginas. A base governista, já insatisfeita com o conteúdo do relatório — que atinge figuras ligadas ao atual governo —, demonstrava exaltação. Em meio aos gritos, Lindbergh Farias proferiu a acusação direta: "Você é um estuprador".
Gaspar reagiu imediatamente às ofensas, rebatendo o parlamentar petista: "A única coisa que eu estuprei foram corruptos como vossa excelência, que roubam o Brasil. Ladrão. Corrupto". O embate verbal seguiu com trocas de insultos pessoais, forçando a intervenção da mesa diretora.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), agiu para conter o bate-boca e repreendeu duramente o deputado petista. Viana afirmou que não é permitido chamar o relator de tal crime e garantiu que as falas não seriam removidas das atas oficiais, permitindo que Alfredo Gaspar tome as medidas judiciais e administrativas cabíveis perante o Conselho de Ética.
Ao retomar a palavra, Gaspar citou sua trajetória familiar e pessoal como contraponto às agressões. "Lave a sua boca, seu bandido", declarou o relator, visivelmente abalado com o teor das acusações.
Após a sessão, Lindbergh Farias manteve o tom de mistério e reafirmou as acusações, embora não tenha apresentado provas no momento. "Eu não falaria isso se não tivesse certeza. É questão de dias. Eu sei de tudo", declarou o petista, afirmando que os detalhes seriam esclarecidos em breve.
Por outro lado, o deputado Alfredo Gaspar emitiu uma nota oficial repudiando o que chamou de "acusações infames e desesperadas". No texto, o parlamentar alagoano destacou sua carreira jurídica e política ilibada:
"Recorrer a ofensas graves demonstra desequilíbrio e total desrespeito à verdade. Ao longo de toda a minha vida, construí uma trajetória limpa e dentro da lei. Não irei me intimidar com ataques de quem tenta desviar o foco dos fatos", afirmou Gaspar.
O clima de hostilidade coloca em xeque a votação do relatório, que estava prevista para ocorrer entre hoje e amanhã. A estratégia de obstrução da base governista ganhou força após a confusão, enquanto a oposição exige punição exemplar para Lindbergh Farias pela quebra de decoro parlamentar.
A cúpula da CPMI deve decidir nas próximas horas se haverá continuidade na leitura ou se a sessão será suspensa para que os ânimos sejam acalmados.








