Perfil pró-Renan usa Deepfake para forjar confissões de JHC e vira alvo da Justiça

Perfil que utilizou deepke
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, em caráter liminar neste domingo (26), a exclusão imediata de um vídeo manipulado por inteligência artificial que simulava a voz e a imagem do prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo, JHC (PL). A decisão atende a uma representação da Federação PSDB/Cidadania e estabelece um prazo de 24 horas para que a Meta Platforms retire o conteúdo do ar, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

O conteúdo em questão foi veiculado pelo perfil "@juventudecomrenanfilho" no Instagram. De acordo com os autos, o material utilizou a tecnologia conhecida como deepfake para forjar declarações de JHC e do ex-deputado João Caldas. No vídeo, as vozes criadas artificialmente simulavam uma confissão de crimes contra a administração pública, especificamente relacionados a supostos desvios de recursos no Instituto de Previdência de Maceió (IPREV).

O desembargador Antonio José de Carvalho Araújo, relator do processo, enfatizou que o vídeo não continha qualquer sinalização ou aviso de que se tratava de um conteúdo gerado por computador. Essa omissão viola diretamente as normas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2026, que exigem transparência total no uso de tecnologias de IA em materiais políticos.

Em sua fundamentação, o magistrado destacou que o uso de ferramentas digitais para criar fatos sabidamente falsos e prejudicar a honra de pré-candidatos extrapola os direitos de livre manifestação do pensamento. Segundo o desembargador, a manipulação tecnológica, quando empregada para confundir o eleitorado e desequilibrar a disputa, deve ser combatida com rigor pela Justiça Eleitoral.

A decisão reforça o entendimento de que a inteligência artificial, embora permitida para fins de edição, não pode ser usada para fabricar realidades paralelas ou imputar crimes a adversários políticos sem qualquer base factual.

A Meta Platforms, responsável pelo Instagram, foi notificada para proceder com a remoção. O caso marca um dos primeiros embates judiciais de grande repercussão em Alagoas envolvendo o uso ilícito de IA nas eleições de 2026. A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral devem acompanhar o desdobramento para identificar os responsáveis pela criação e financiamento da conta que disseminou o conteúdo.


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