Números de celular desativados viram ferramenta de golpe em Alagoas

Prints de mensagens dos golpistas
Uma nova modalidade de golpe vem preocupando as autoridades em Alagoas: criminosos estão se aproveitando de números de celular desativados para se passar por antigos donos das linhas e aplicar fraudes contra clientes, amigos e familiares dessas pessoas.

A tática funciona através de aplicativos de mensagens. Ao conseguir acesso a uma linha que já pertenceu a outra pessoa, os golpistas assumem a identidade do antigo titular e iniciam contato com quem fazia parte do círculo de relacionamento dele, pedindo transferências de dinheiro. Em um dos casos relatados, uma empresária descobriu que seu antigo número estava sendo usado por criminosos para cobrar clientes antecipadamente por serviços, direcionando os pagamentos para uma chave Pix controlada pelos golpistas.

Situação semelhante atingiu Henrique, que recebeu mensagens de um número que antes pertencia ao próprio pai. Do outro lado da conversa, alguém se fazia passar por ele e solicitava dinheiro. Mesmo com alguma desconfiança, Henrique acabou realizando a transferência — e só depois percebeu que havia sido vítima do golpe.

De acordo com Kümmer Williams, chefe de operações da Seção de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Alagoas, os criminosos recorrem a estratégias de engenharia social, apostando na pressão psicológica para impedir que a vítima pare e reflita antes de agir. "Normalmente eles imprimem na vítima um senso de urgência para que ela não tenha tempo de raciocinar", explicou.

Como se proteger

A principal recomendação das autoridades é sempre confirmar a identidade de quem está solicitando dinheiro antes de qualquer transferência. "Certifique-se de que você realmente está falando. Ligue para o número real daquela pessoa que você acha que está conversando. Não fique apenas no aplicativo de mensagem", orientou o especialista.

Quem for vítima do golpe deve registrar boletim de ocorrência, reunindo o máximo de informações possíveis para auxiliar na investigação — como prints das conversas trocadas com os criminosos. A recomendação vale também para quem teve sua identidade usada indevidamente: essas pessoas também devem procurar a polícia e formalizar a ocorrência.

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