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| Arthur Lira e JHC | Foto: Felipe Sóstenes/Câmara dos Deputados |
JHC é um político que preza pelo controle do timing. No entanto, Valdemar Costa Neto e o clã Bolsonaro mudaram a dinâmica. Se JHC não for candidato, a responsabilidade será exclusivamente dele, e não de uma suposta "falta de espaço".
O PL nacional já avisou que os candidatos ao Senado são Arthur Lira (PP) e Alfredo Gaspar (UB). JHC entra como o "puxador de votos" para o Governo, servindo de âncora para a sobrevivência política desses dois aliados no estado.
Alfredo Gaspar de Mendonça surge como o elemento de desequilíbrio. Embora JHC e Gaspar tenham sido aliados, existe uma tensão latente por espaço e protagonismo. Para JHC, aceitar a candidatura ao Governo significa, obrigatoriamente, carregar Gaspar e Lira para o Senado.
O problema é que Gaspar ganhou as bênçãos diretas de Bolsonaro, tornando-se "intocável" na chapa. Se JHC recuar para não fortalecer Gaspar (um potencial rival futuro), ele se indispõe com a cúpula nacional do PL.
Existe uma teoria persistente nos bastidores de que poderia haver um pacto de não-agressão entre os grandes grupos de Alagoas (Lira/JHC vs. Calheiros/Dantas) para manterem seus atuais espaços sem riscos.
Se JHC não renunciar em abril de 2026, ele confirma a tese do "acordão": ele fica na Prefeitura, Renan Filho vai ao Governo sem um adversário de peso, e o grupo Calheiros mantém o seu domínio. Essa omissão, contudo, custaria caro para a imagem de JHC perante o eleitorado de oposição e poderia isolá-lo dentro do PL.
JHC pode tentar culpar as exigências de Lira para justificar um eventual recuo, mas a nota do PL nacional esvaziou esse argumento. Lira precisa da candidatura de JHC para ter um palanque forte no interior, onde o MDB é hoje muito dominante. Sem JHC no páreo estadual, a eleição de Lira ao Senado torna-se muito mais difícil diante da máquina de Paulo Dantas.
JHC está em uma encruzilhada de alto risco. Se for candidato, coloca em jogo o controle da capital e enfrenta a poderosa máquina dos Calheiros. Se não for, corre o risco de ser visto como "amarelou" ou como parte do sistema que ele critica, perdendo o apoio da direita bolsonarista que hoje o sustenta.
O próximo grande sinal será o dia 20 de março (lançamento da pré-candidatura de Lira). Se JHC aparecer e discursar como líder da oposição, o trem começou a andar. Se houver silêncio ou ausência, o "acordão" terá vencido a disputa.
