Conselho Tutelar troca debate técnico por ataques pessoais e expõe crise institucional na discussão do “voto único”

Alexander Campos e Jessica Batista
O que deveria ser um debate técnico sobre as regras do processo democrático para o Conselho Tutelar descambou para a hostilidade pessoal e o fanatismo retórico. Nesta quarta-feira (11), o conselheiro Alexander Campos, que utilizou os microfones da Rádio Quilombo não apenas para contestar a proposta do "voto único", mas para implodir qualquer ponte de diálogo sobre o assunto.

Ao classificar a nova modalidade de sufrágio como uma "usurpação" do direito popular, Alexander Campos sugere que a mudança carrega um vício de origem: a transformação de um serviço essencial de proteção à criança e ao adolescente em um balcão de "mini campanhas políticas". O argumento, embora defensável no campo das ideias, perde o brilho acadêmico ao ser confrontado com a estratégia de ataque direto à dissidência interna.

A fragilidade institucional do Conselho ficou evidente quando a divergência de opiniões foi tratada sob a ótica da traição religiosa. Ao mirar na conselheira Jessica Batista — única voz favorável à proposta — e rotulá-la publicamente como uma figura análoga a Judas Iscariotes (evocando Mateus 26), Alexander Campos remove o debate do campo jurídico e o enterra no julgamento moral. Esse tipo de analogia bíblica em espaços de decisão pública serve apenas para inflamar bases e inviabilizar o consenso.

O atual racha no órgão coloca a Câmara de Vereadores em uma posição desconfortável. Sob pressão e diante de um colegiado que trocou os argumentos técnicos por ataques personalistas, os parlamentares agora herdam a responsabilidade de decidir se cedem ao barulho das redes e das rádios ou se priorizam a estabilidade do sistema de proteção social.

Por João Antônio 

© 2022 - 2024 | Portal Tabu - Todos os direitos reservados.
A republicação é gratuita desde que citada a fonte.