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| Alexander Campos e Jessica Batista |
Ao classificar a nova modalidade de sufrágio como uma "usurpação" do direito popular, Alexander Campos sugere que a mudança carrega um vício de origem: a transformação de um serviço essencial de proteção à criança e ao adolescente em um balcão de "mini campanhas políticas". O argumento, embora defensável no campo das ideias, perde o brilho acadêmico ao ser confrontado com a estratégia de ataque direto à dissidência interna.
A fragilidade institucional do Conselho ficou evidente quando a divergência de opiniões foi tratada sob a ótica da traição religiosa. Ao mirar na conselheira Jessica Batista — única voz favorável à proposta — e rotulá-la publicamente como uma figura análoga a Judas Iscariotes (evocando Mateus 26), Alexander Campos remove o debate do campo jurídico e o enterra no julgamento moral. Esse tipo de analogia bíblica em espaços de decisão pública serve apenas para inflamar bases e inviabilizar o consenso.
O atual racha no órgão coloca a Câmara de Vereadores em uma posição desconfortável. Sob pressão e diante de um colegiado que trocou os argumentos técnicos por ataques personalistas, os parlamentares agora herdam a responsabilidade de decidir se cedem ao barulho das redes e das rádios ou se priorizam a estabilidade do sistema de proteção social.
Por João Antônio
