Alagoas registra salto de 400% no número de municípios com mais eleitores do que habitantes

Urna eletrônica | Foto: TRE-RR/Divulgação

Entre o pleito de 2022 e a disputa de 2026, Alagoas vivenciou um salto de 400% na quantidade de cidades que contabilizam um contingente de eleitores superior ao total de moradores. De acordo com um mapeamento conduzido pela Agência Tatu, elaborado a partir do cruzamento de estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as projeções demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a lista de localidades alagoanas nessa situação saltou de apenas três para 15 municípios.

Esse avanço coloca o estado alagoano na segunda posição com maior alta proporcional da Região Nordeste, ficando atrás unicamente do Ceará, que expandiu seu total de dois para 14 municípios. No quadro geral nordestino, são 279 as cidades que ostentam um colégio eleitoral mais expressivo do que o tamanho do seu contingente populacional projetado.

No âmbito local, Olho d'Água Grande, Jundiá e Chã Preta lideram o ranking dos maiores descompassos quantitativos em Alagoas. Em Olho d'Água Grande, enquanto a população estimada é de 4.381 pessoas, a base de cidadãos aptos a votar chega a 5.156 — o que representa uma margem superior de 17%. Jundiá surge em seguida com 4.175 moradores frente a 4.851 votantes cadastrados, enquanto Chã Preta contabiliza por volta de 6 mil residentes contra 6.930 eleitores na sua base de dados.

Em termos consolidados, Alagoas conta com aproximadamente 3,2 milhões de habitantes para cerca de 2,4 milhões de votantes habilitados. Contudo, mesmo com o eleitorado global do estado sendo inferior ao montante de sua população, 15 de suas divisões municipais exibem essa discrepância entre moradores previstos pelo IBGE e registros de títulos eleitorais ativos — patamar bem distante do cenário de 2022, quando tão somente Jundiá, Belém e Mar Vermelho figuravam nessa relação.

Diante desse panorama, a cientista política Luciana Santana pontua que o descompasso entre a quantidade de votantes e o total de residentes não constitui, isoladamente, prova ou sinal de irregularidade eleitoral. Conforme explica a especialista, esse comportamento costuma ser alimentado por dinâmicas migratórias, preservação do vínculo com a cidade de origem e laços de parentesco mantidos pelos cidadãos, fatores comuns em cidades de pequeno porte. A pesquisadora ressalta, no entanto, a importância de uma vigilância constante por parte das instâncias fiscalizadoras, dado que a presença acentuada de eleitores sem domicílio residencial no município possui capacidade real de interferir e moldar os resultados de disputas políticas locais.

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