O que é a 'Raizada', bebida investigada após morte e internações em AL

Raizada, bebida típica | Foto: Reprodução
A comercialização de uma bebida alcoólica artesanal chamada “Raizada” passou a ser o foco principal de uma apuração em Pariconha, no Alto Sertão alagoano, motivada pelo falecimento de um morador e pelo internamento de seis pessoas na região. O produto, vendido comumente na feira livre da cidade, teve amostras apreendidas por agentes da Vigilância Sanitária local para passar por exames periciais no Laboratório Central de Alagoas (Lacen), etapa fundamental para determinar se o líquido guarda ligação direta com as ocorrências de intoxicação.

Muito popular em diferentes estados do Nordeste, a bebida consiste na infusão prolongada de cachaça misturada a um composto diversificado de raízes, ervas, cascas e especiarias. Como não possui uma fórmula padronizada, o preparo muda drasticamente segundo cada fabricante, podendo incorporar itens variados como jatobá, quina, jurubeba, catuaba, sucupira, pau-tenente, gengibre, canela e cravo. A mistura costuma macerar por semanas ou até meses para apurar as propriedades e sabores, sendo habitualmente engarrafada sem rotulagem formal e distribuída em feiras, mercados municipais e mercearias locais. Frequentemente associada a uma imagem de tônico ou fortificante, a comunidade costuma atribuir à poção efeitos afrodisíacos, melhorias no sistema circulatório, auxílio na digestão e ganho de energia, embora a imensa maioria dessas propriedades careça de validação científica devido à grande variação de ingredientes.

A despeito da fama cultural, especialistas chamam a atenção para os perigos envolvidos no consumo de fermentados e destilados sem fiscalização sanitária adequada. O processo informal pode favorecer desde a proliferação metabólica de microrganismos e a introdução involuntária de botânicas venenosas até a presença letal de compostos químicos como o metanol — agente causador de cegueira, danos neurológicos severos e óbito. Em relação aos acontecimentos em Pariconha, a Secretaria Municipal de Saúde ressalta que o nexo causal entre o consumo do produto e a tragédia com os sete afetados ainda depende do resultado dos laudos analíticos do Lacen, que confirmarão se havia impurezas ou substâncias nocivas na bebida testada.



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