![]() |
| Reprodução |
O problema não é ser cantor, humorista, influenciador ou vir de origem humilde. O problema é alguém querer ocupar um dos cargos mais importantes do país sem conseguir apresentar propostas consistentes e demonstrar conhecimento mínimo sobre aquilo que pretende fazer.
E existe algo ainda mais preocupante: os próprios partidos alimentam esse sistema.
Algumas legendas parecem se preocupar cada vez menos em lançar candidatos preparados; o foco passou a ser descobrir quem tem seguidores suficientes para garantir votos à chapa. A política corre o risco de se tornar um mercado eleitoral em que a influência digital vale mais do que as próprias ideias.
Você pode gostar da música de alguém. Pode rir dos seus vídeos. Pode acompanhar seus memes todos os dias. Isso não significa que essa pessoa esteja preparada para decidir sobre orçamento público, impostos, segurança, educação ou fiscalizar bilhões de reais dos cofres públicos.
É curioso: para ocupar uma vaga comum no mercado de trabalho, muitas empresas exigem currículo, experiência, cursos e entrevistas.
Mas para entregar um mandato de quatro anos a alguém, parece que às vezes basta o candidato ser apenas famoso, com zero de experiência.
Alguma coisa está profundamente errada nessa lógica.
Seguidor, pessoal, não é currículo.
Fama não é competência.
Viralização nas redes sociais, nunca substituiu políticas públicas.
E urna não é botão de curtir.
Deputado federal, estaduais e distritais não é contratado para produzir memes; não é eleito para viralizar; não recebe mandato para entreter.
Deputados votam em leis, fiscalizam o governos, discutem orçamentos e participam de decisões que podem afetar mais de 200 milhões de brasileiros.
Então é legítimo perguntar: quais são as propostas? Qual é o preparo? Qual é o projeto de país?
