Demissões na Saúde expõem fragilidades estruturais da gestão pública em União dos Palmares

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Uma série de desligamentos ocorridos recentemente na Secretaria Municipal de Saúde de União dos Palmares reacendeu o debate sobre a condução administrativa do município e a relação entre gestão pública, servidores e órgãos de controle. As exonerações surgem no contexto de um chamado “pente-fino” que vem sendo implementado pela administração municipal e que, desta vez, alcançou um dos setores mais sensíveis da estrutura pública: a saúde.

Servidores desligados relatam que as demissões ocorreram de forma abrupta, sem qualquer comunicação prévia, o que teria provocado um clima de instabilidade interna e indignação entre os trabalhadores. Segundo essas versões, medidas dessa natureza não encontram precedentes recentes dentro da Secretaria de Saúde, o que levanta questionamentos sobre os critérios adotados e a legalidade dos procedimentos. Os funcionários apontam ainda que a situação expõe uma prática histórica do município: a manutenção de vínculos precários em substituição à realização de concurso público.

De acordo com os relatos dos servidores afetados, União dos Palmares estaria há mais de duas décadas sem promover concurso público para o preenchimento regular de cargos. Na avaliação deles, a ausência de um certame contribuiu para a consolidação de um modelo de contratações vulnerável a interferências políticas, frequentemente descrito como “cabide de empregos”. Para esses trabalhadores, a falta de estabilidade institucional teria criado um ambiente propício a desligamentos arbitrários, classificados por eles como humilhantes.

A repercussão do episódio ultrapassou os limites da administração e alcançou a população local. Moradores passaram a cobrar explicações formais sobre os critérios que motivaram as demissões, sobretudo em um setor essencial à garantia de direitos básicos. Também ganharam força questionamentos dirigidos ao Ministério Público, instado a apurar por que o município nunca realizou concurso público e se os recentes cortes obedeceram aos princípios da legalidade, impessoalidade e interesse público.

Até o momento, a Prefeitura de União dos Palmares não apresentou posicionamento oficial sobre as demissões nem esclareceu se existe planejamento para a realização de concurso público. A ausência de respostas institucionais amplia o desgaste político da gestão e reforça dúvidas sobre a condução administrativa da saúde municipal. O episódio passa a ser observado não apenas como um conflito trabalhista, mas como um sintoma de fragilidades estruturais na gestão pública local, com potenciais desdobramentos jurídicos e políticos.

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