Parecer ou Ser? O Escândalo do Banco Master e a Estratégia da Moralidade de Aluguel na Política Brasileira

Renan Calheiros e Arthur Lira
Vivemos uma era onde a importância de um acontecimento não é apenas intrínseca, mas fabricada. Diferente de outros tempos, em que a relevância de fatos e opiniões era orgânica, hoje assistimos à "construção da relevância". Figuras como influenciadores e youtubers detêm o poder de converter episódios banais em fenômenos de grande impacto social.

Essa dinâmica é amplamente explorada na política. Um exemplo atual é a jornada a pé do deputado Nikolas Ferreira, de Minas Gerais até Brasília. Embora a utilidade prática do ato seja questionável, a iniciativa já gera barulho. Prova disso é a reação de Lindbergh Farias, líder do governo, que classificou a caminhada como uma "cortina de fumaça". Para Farias, o movimento tenta desviar a atenção do suposto fracasso do projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

O Caso Banco Master como Alavanca

Já no escândalo envolvendo o Banco Master, a relevância é real, mas o que se vê é o aproveitamento político dessa crise. Enquanto figuras diretamente ligadas ao caso, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, enfrentam desgastes, quem está de fora utiliza o episódio para projetar uma imagem de guardião da ética — estratégia valiosa para as eleições de outubro deste ano.

Essa tática de marketing moralista não é nova: em 1993, o então pouco conhecido Fernando Collor de Mello chegou à presidência sustentado pelo rótulo de "caçador de marajás", prometendo combater a corrupção em Alagoas.

O Duelo alagoano e o Banco Central

Ainda sobre Alagoas, os rivais Renan Calheiros e Arthur Lira já miram a disputa pelo Senado em 2026. Ambos incorporaram o imbróglio do Banco Master em seus discursos para ganhar visibilidade:

  • Renan Calheiros: Questiona a demora do Banco Central (Bacen) em intervir na instituição de Daniel Vorcaro, apontando que, desde 2019, o banco dependia excessivamente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

  • Arthur Lira: Cobra esclarecimentos sobre o que classifica como "contradições do Bacen".

O súbito interesse desses políticos pela conduta de Daniel Vorcaro e sua instituição financeira dificilmente se traduz em zelo pelo bem público. Em um mundo hiperconectado, a prioridade é ocupar espaços na mídia e associar o próprio nome a valores morais, mesmo que apenas na aparência. Como numa inversão do pensamento atribuído ao filósofo Cícero, o foco contemporâneo está em "parecer" ser ético, ignorando a essência do "ser".

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