Café ou ansiedade? Entenda como a cafeína mexe com o cérebro e mimetiza crises

 

Café | Foto: Reprodução

Consumir uma xícara de café pode, em poucos minutos, desencadear palpitações e inquietação semelhantes a um episódio de ansiedade. De acordo com estudos divulgados pela UCLA Health, a cafeína possui a capacidade biológica de inibir o relaxamento e superestimular o sistema nervoso central, o que explica por que muitas pessoas sentem um mal-estar físico após a ingestão da substância.

Para compreender o efeito, é necessário olhar para o funcionamento químico do organismo. Ao atingir o cérebro, a cafeína "compete" com a adenosina, um neurotransmissor natural responsável por promover a sensação de descanso e relaxamento.

Quando a cafeína se acopla aos receptores que seriam da adenosina, ela bloqueia essa mensagem de repouso, mantendo o corpo em estado de vigilância constante. Simultaneamente, a substância ativa o sistema nervoso central, provocando uma resposta típica de estresse, que inclui elevação da pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos.

Relação com transtornos e ataques de pânico

Especialistas esclarecem que, embora uma xícara de café não cause o transtorno de ansiedade por si só, ela pode atuar como um amplificador de sintomas para quem já convive com a condição. Para indivíduos diagnosticados com síndrome do pânico, o risco é ainda mais acentuado.

Uma revisão de pesquisas envolvendo 235 pessoas demonstrou que mais de 50% dos voluntários sofreram ataques de pânico após consumirem doses elevadas de cafeína. Destes, a quase totalidade (98%) já possuía histórico prévio da condição. Em contrapartida, nenhum participante do grupo que recebeu placebo apresentou sintomas semelhantes, reforçando a relação direta entre a substância e o gatilho emocional.

Limites de segurança e sensibilidade individual

A comunidade médica estabelece que o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é considerado seguro para a maior parte dos adultos saudáveis. No entanto, é preciso atenção às medidas: uma xícara média de café preto (350 ml) pode conter cerca de 247 mg da substância, aproximando o consumidor do limite diário com apenas duas porções.

A UCLA Health ressalta, porém, que a "sensibilidade à cafeína" varia drasticamente entre indivíduos. Enquanto alguns processam a substância sem efeitos colaterais, outros apresentam reações intensas mesmo com doses mínimas. A recomendação é o autoconhecimento e a observação de como o corpo reage após o consumo.

O desafio da abstinência

Para aqueles que já possuem o hábito consolidado de consumir café, a interrupção abrupta pode gerar o efeito inverso ao desejado. A falta da substância no organismo de quem é dependente costuma gerar sintomas de abstinência que incluem, ironicamente, o aumento da ansiedade e irritabilidade. Esse período de adaptação do corpo pode levar até nove dias para ser superado.

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