Contraste com a queda geral dos homicídios
A alta nos crimes de gênero ocorre em um momento de redução geral da violência letal no país. As Mortes Violentas Intencionais (MVI) caíram 8,2% no mesmo período, totalizando 40.775 ocorrências — o menor índice da série histórica (19,1 por 100 mil habitantes). Com o resultado, o Brasil antecipou em dois anos a meta de redução de homicídios estipulada pela Política Nacional de Segurança Pública para 2027.
Contudo, os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial figuraram como as únicas modalidades de crimes letais que registraram crescimento no balanço anual.
Violação por razões de gênero e mudanças na legislação
Em 2025, 44,4% de todas as mulheres assassinadas no país foram vítimas de crimes motivados pelo fato de serem mulheres, o maior percentual desde a tipificação da conduta no Código Penal, em 2015. O período analisado marca também o primeiro ano de vigência da Lei nº 14.994/2024, que tornou o feminicídio um crime autônomo.
Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ressaltam que, embora o aprimoramento dos registros policiais colabore para dar visibilidade às estatísticas, a alta contínua reflete a persistência da violência doméstica e machista. A escalada também é acompanhada pelo aumento de outras infrações associadas: os casos de perseguição (stalking) cresceram 30% em 2025, enquanto os registros de violência psicológica avançaram cerca de 17%.
"Enquanto os homicídios vêm caindo, as mulheres continuam morrendo por serem mulheres."
— Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Tentativas de feminicídio avançam no país
O levantamento revela ainda um crescimento de 5,9% nas tentativas de feminicídio, somando 4.189 vítimas que sobreviveram a agressões graves. O dado aponta que, para cada feminicídio consumado no país, ocorreram 2,7 tentativas no último ano.
| Indicador (2025) | Total de Casos | Variação em relação a 2024 |
| Feminicídios consumados | 1.571 | +4,0% |
| Tentativas de feminicídio | 4.189 | +5,9% |
| Mortes Violentas Intencionais (Geral) | 40.775 | -8,2% |
Desafios na prevenção e proteção às vítimas
Analistas e pesquisadores em segurança pública apontam que o avanço contínuo dos números evidencia as limitações de uma atuação centrada apenas na resposta penal e repressiva.
O relatório reforça que a contenção da violência contra a mulher exige políticas públicas integradas, focadas no monitoramento preventivo, no fortalecimento das redes de apoio, na intervenção precoce em casos de ameaça e no cumprimento rigoroso de medidas protetivas de urgência antes que a violência evolua para desfechos fatais.






