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| Ministro Marco Buzzi, do STJ - Emerson Leal/STJ |
Os defensores de Buzzi, os advogados Paulo Emílio Catta Preta e Maria Fernanda Saad Ávila, discursaram por cerca de uma hora. A condução do rito está sob responsabilidade do ministro Luis Felipe Salomão, presidente da comissão disciplinar, que realiza a leitura do voto conjunto do colegiado, antecipando a votação dos demais magistrados, em um quórum que conta com a participação de 28 ministros, conforme levantado pela Folha de S.Paulo.
A manifestação do MPF altera de forma significativa o posicionamento prévio do próprio órgão, que em parecer emitido no mês de julho havia sugerido a aplicação da aposentadoria compulsória como penalidade. Essa modalidade tradicional de sanção aplicada a magistrados foi invalidada após deliberação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no decorrer deste ano. Em decorrência dessa mudança de entendimento, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou, na última terça-feira (4), que juízes autores de infrações graves poderão sofrer a perda da função pública, estando sujeitos, contudo, a um rito processual dividido em três etapas: a tramitação nos tribunais locais, a apreciação pelo próprio conselho e o julgamento final no STF.
No contexto específico que envolve o ministro do STJ, caso a pena de perda do cargo seja ratificada no plenário, a tramitação seguirá de forma direta para a Advocacia-Geral da União (AGU), que ficará encarregada de ajuizar a ação cabível perante o Supremo. Eventuais recursos apresentados pela defesa de Buzzi também serão examinados de forma definitiva pela Suprema Corte. Durante o transcurso das fases recursais, os magistrados processados mantêm o direito a proventos proporcionais ao tempo de contribuição, porém, no desfecho definitivo do processo, ocorre a interrupção integral das remunerações e o desligamento irrevogável dos quadros do Poder Judiciário. A norma estabelecida pelo CNJ terá eficácia estrita sobre procedimentos inéditos ou em trâmite a partir da data de sua publicação oficial, sem retroagir sobre processos julgados no passado.
As acusações que pesam contra Buzzi englobam episódios narrados por duas vítimas distintas. A primeira denúncia emergiu em janeiro, formalizada pela filha de um casal próximo ao ministro, que afirmou ter sido abordada e agarrada involuntariamente durante um banho de mar em uma praia no litoral de Santa Catarina. O segundo relato foi apresentado por uma trabalhadora terceirizada alocada na equipe do magistrado. A prestadora de serviços denunciou a ocorrência de episódios de assédio contínuos no decorrer de um triênio, espalhados por diferentes dependências do ambiente de trabalho, abrangendo o gabinete privado do ministro, a biblioteca, as áreas de circulação e o depósito.
A versão apresentada pela funcionária foi corroborada pelo testemunho de outros servidores do tribunal, a quem a vítima já havia recorrido para relatar os abusos sofridos no órgão.
